Desafio das cartas #3 Carta para seus pais

Telêmaco Borba, 31 de maio de 2015.

Pai e mãe, 

Olá, como vocês estão? Quero dizer, como vocês realmente estão? Já faz tanto tempo que não temos uma conversa assim, pra saber o que se passa realmente, na verdade acho que nunca tivemos essa conversa. O tempo tão escasso, a correria do dia a dia, talvez o medo de sermos sinceros. Acontece que mesmo aqui de longe eu consigo perceber como vocês realmente estão. Infelizmente o tempo passa muito mais rápido do que possamos perceber e quando nos damos conta passaram-se anos e as conversas continuam sendo adiadas.

Mas eu sei que vocês estão envelhecendo e eu estou aproveitando tão pouco esses anos, nós passamos tão pouco tempo juntos, eu tenho saudades inimagináveis. As vezes me pego pensando na minha infância e quando percebo algumas lágrimas estão descendo pelo meu rosto, é inevitável. Aquela velha história de que os filhos são criados para o mundo é real, mas eu queria tanto poder mudar isso, queria estar mais perto. A vida é um paradoxo, ao mesmo tempo que eu queria estar no ninho o tempo inteiro eu também quero construir a minha vida e voar com minhas próprias asas.

Talvez essas palavras nunca sejam ditas, mas precisam ser escritas. Existem muitas coisas que deveriam ser tratadas num relacionamento com os pais, mas que ficam pra depois e em meio disso tudo as vezes a gente acaba fazendo ou falando coisas que magoam um ao outro e não pedimos desculpas por achar que por mais que a gente faça besteira os pais ou os filhos vão nos amar incondicionalmente, a verdade é que sim, irão, mas pra quê ficar guardando mágoas? Eu gostaria de pedir desculpas por todas as coisas que fiz ou disse que de alguma maneira tenha magoado vocês, que as vezes eu possa não ter percebido, mas que ficou marcado na memória. E também gostaria de dizer que eu perdoo tudo o que vocês possam ter feito que me magoou, mas que no fundo sempre foi pro meu bem, nunca um pai ou uma mãe faz algo para magoar o filho assim gratuitamente, sempre há uma razão.

E a razão é o amor, por isso gostaria de deixar bem claro o quanto amo vocês, independente de toda e qualquer coisa, o amor é o que nos une, a família é algo que não se escolhe, mas que se aprende a amar a cada dia e não tem como não aprender porque já vem de uma maneira intrínseca desde  a concepção. Enfim, eu só queria dizer que amo vocês e que se as vezes não digo não significa que não sinto. Ainda escrevendo parece que faltam palavras para tudo o que queria dizer, mas acho que a melhor tradução é feita por um abraço, que em breve lhes darei.

Com amor,
Sua filha Ana.



NOTA: Essa com certeza foi uma das mais difíceis cartas do desafio, não tive como escrever sem derramar muitas lágrimas e devido à emoção não consegui traduzir em palavras tudo o que eu gostaria de dizer, mas o que vale é a intenção e a demonstração de amor 

Por que ter um blog?

Lá em meados de 2009 quando decidi criar um blog e pelo menos tentar seguir com ele por algum tempo não tinha esse auto-questionamento, do motivo de fazer isso, talvez a resposta fosse: "Porque sim", "Porque eu quero", "Porque eu vi um blog legal e também vou ter um".

Mas agora, quando troquei de blog, me veio essa pergunta: "Por que ter um blog?". Isso me fez refletir se realmente valia a pena começar tudo do zero, se já existem tantos e o meu seria apenas mais um no meio da multidão. Se alguém me perguntasse isso, provavelmente eu daria a resposta mais vaga possível, mas quando quem questiona sou eu mesma me sinto na obrigação de me responder, de explicar a mim mesma o motivo de meus devaneios.

Bom, eu não pretendo ter um blog conhecido, super acessado, compartilhado e comentado, até porque me sentiria como se estivesse nua e todos olhando para mim, acho que ser conhecido demais causa essa espécie de estranhamento. Também não quero ganhar dinheiro com meus posts, afinal não é um trabalho, é uma distração, um descanso, um retirar-me do mundo real. Não quero falar de um assunto específico, não quero algo forçado, não quero isso, não quero aquilo, não quero... Mas afinal, o que eu quero?

Eu quero guardar-me para mim mesma e reler-me depois, quero escrever sobre meus sentimentos, anseios, emoções, opiniões, aflições. Porque acho que essa vida é curta demais pra não deixarmos registros da nossa existência, quero ser como um homem das cavernas que deixou seu diário nas pedras. Quero deixar pedaços da minha pequena vida para que as pessoas possam se inspirar, analisar (ou talvez odiar), por mais insignificante que esses pedaços sejam.

Quero dizer que estou viva e existo, que sinto, choro e quero fazer mais do que isso, quero mais do que existir, mais do que apenas respirar. Quero falar, dizer, gritar, exalar palavras e quero compartilhar minha existência. Acho que esse é meu intuito ao manter esse blog: compartilhar minha existência.

Uma das promessas que fiz pra mim mesma este ano foi de me dedicar mais à esse compartilhamento, por isso pedi a ajuda da Stephanie para mudar o layout, queria algo clean e simples e ela conseguiu deixar da maneira que eu queria, obrigada pela paciência Steph . Agora que está tudo alinhado espero aparecer com mais frequência por aqui.