Desafio das cartas #4 Seu irmão ou parente mais próximo

Telêmaco Borba, 29 de julho de 2015.

Dani e Mari, 

É tão difícil escrever pra vocês, talvez porque tudo o que eu quero dizer não conseguiria em apenas uma carta, explicar o que eu sinto por vocês extrapola o poder das palavras, então não serei capaz, mas vou tentar.

Cada vez que olho pra vocês duas me vêm mil lembranças na cabeça, acho que ser irmã mais velha é como ser uma mãe antecipadamente porque vi cada fase da vida das duas, acompanhei desde a gravidez, primeira alimentação, primeiras palavras, primeiros passos e é tão emocionante perceber um ser humano se desenvolvendo, descobrindo o mundo e estar presente, poder ajudar, é encantador.

Eu sei, como boas irmãs já tivemos muitos momentos de desentendimento. Normal, afinal dividir a atenção dos pais, a casa, os brinquedos, a vida, não é tão simples assim. Mas é gratificante, a família nos prepara para a vida, para a convivência com outras pessoas e com certeza eu aprendi muito com vocês. Aprendi que meus brinquedos não eram mais só meus e que mesmo que eu quisesse guardar aquela linda boneca, isso não iria acontecer porque mais cedo ou mais tarde alguma de vocês iria querer brincar com ela e não ia ter jeito, eu ia ter que ceder, mas foi assim que aprendi que brinquedos são pra ser divididos e para serem brincados, senão qual é a graça de deixar guardado?

Aprendi que o pai e a mãe não iriam mais ser só meus como foram por sete anos, minha exclusividade, aprendi com vocês que pais são para serem compartilhados porque eles são maravilhosos demais pra eu guardar só pra mim. Aprendi que meu quarto que eu tanto arrumava, as vezes merecia uma baguncinha também porque convenhamos, fazer bagunça com as irmãs é muito divertido. E com vocês eu aprendi que eu não era a única na vida, no mundo... Acho que a grande lição que aprendi com vocês foi aprender a dividir e sou muito grata por isso porque só assim eu não me tornei uma pessoa egoísta.

Agora que estou aqui longe é mais fácil perceber o quanto vocês estão crescendo, cada vez que vejo vocês estão maiores, aliás vocês sempre foram maiores que eu. A cada conquista de vocês eu fico orgulhosa, como se fossem minhas filhas. E vai continuar sendo assim, quero estar presente em cada momento, seja ele bom ou ruim porque irmãs são o mesmo sangue e não tem como explicar essa ligação tão intensa. Obrigada por dividirem tudo isso comigo, por terem me dado a oportunidade de ser irmã de vocês, eu as amo muito e pra toda a vida.




What's in my bag?

Já faz muito tempo que vejo pela internet afora pessoas de todo o mundo mostrando o que carregam em suas bolsas/mochilas do dia a dia e eu acho muito legal porque acredito que o que uma pessoa carrega consigo demonstra muito sobre sua personalidade, por isso decidi registrar aqui o que carrego na minha (foto sim porque ainda não tenho a coragem de gravar vídeos):



1. Carteira: Que nunca tem dinheiro, não costumo carregar nada de dinheiro vivo, só documentos e cartões, raramente alguma moedinha perdida.

2. Óculos de sol: Já tive um sério problema em não gostar de nenhum modelo de óculos escuros, eu provava e parecia que nenhum ficava bom no meu lindo rostinho, mas ganhei esse do meu namorado e ficou perfeito, acho que eu sou muito indecisa mesmo.

3. Óculos de grau: Tenho um leve grau de astigmatismo e o óculos é mais para leitura, usar o computador, assistir... Mas quem mais usa é a minha bolsa.

4. Guarda-chuva: Porque moro no Paraná, a Rússia brasileira e ao longo do dia tudo pode acontecer, até nevar, então esse item é indispensável.

5. Livro: Companheiro fiel para as horas intermináveis de ônibus. No momento minha leitura é Deuses Americanos do Neil Gaiman 

6. Necessaire: Onde carrego algumas coisas básicas para a sobrevivência feminina no dia a dia como escova e creme dental, pó compacto, delineador, rímel, lixa de unha, batom, etc.

7. Fones de ouvido: Prefiro headset, mas é muito grande pra carregar na bolsa, esse já quebra o galho, não que eu ouça muita música no fone, mas carrego por precaução ao tédio.

8. Agenda: Já que estou tentando ser uma pessoa mais organizada a agenda está me ajudando muito,  muito mesmo, principalmente no trabalho, sem contar que Snoopy é amor né gente?

9: Caneta: Pra escrever na agenda (avá).

10. Carregador de celular: Porque meu celular vive morrendo de fome. Se vocês prestarem atenção tanto meu carregador quanto meu fone estão envoltos por crochê porque eu sou uma pessoa muito craft haha.

11. Chaves: Meu molho de chaves deveria se chamar molho de chaveiros porque chave mesmo tem poucas, até pendrive tem no meu molho, mas é bom que seja grande mesmo senão perco por aí.

Essas são as coisas básicas que carrego, de vez em quando um casaco porque o clima aqui varia bastante durante o dia. Além do celular que não está na foto porque tirei a foto com ele, por isso a qualidade não está tão boa. Falei das coisas materiais, mas tenho uma bolsa imaginária que carrego comigo onde sempre levo um pouco de otimismo, boas vibrações, fé e positividade pra poder levar a vida numa boa.


"Em minha mochila carrego armas, farda, coturno, cantil... Mas o maior peso que carrego são os dos meus sentimentos, que mal consigo suportar."


O desiludido do ônibus


Este post faz parte do projeto 642 coisas sobre as quais escrever e este é o item 16 que sugere um texto sobre a mais intrigante e inesperada conversa com um desconhecido que você já teve e também faz parte das 1001 pessoas que conheci antes do fim do mundo, então "senta que lá vem história".

Desde muito nova vivi uma vida de nômade, já morei em várias cidades e mesmo agora tendo criado raízes em uma, sempre estou viajando para visitar os meus pais. Então já dormi em muita rodoviária esperando o ônibus, li muito livro durante as horas intermináveis de viagem, mas o que eu mais gosto desses momentos são as pessoas que conheço ou observo e as histórias que ouço das mais variadas formas de seres humanos possíveis.

Numa dessas minhas peregrinações pelo mundo afora presenciei um momento triste na vida de um menino. O começo do itinerário do ônibus era a cidade onde moro, logo, todos os passageiros embarcaram lá. Havia um menino que sentou-se do outro lado do corredor e percebia-se à quilômetros que ele não estava se sentindo bem, parecia nervoso, inquieto, hiperativo, se eu estivesse mais perto talvez desse até pra ouvir o seu batimento cardíaco acelerado.

Logo que o ônibus começou a rodar ele perguntou pra mulher que estava à sua frente se demorava muito para chegar na próxima cidade. Ela respondeu que uns 30 minutos, ele então disse a ela que queria saber porque tinha decidido que ia descer e voltar. Pensei que ele talvez tivesse esquecido algo, ou então tinha se arrependido de embarcar. Chegando à próxima cidade ele hesitou e não desceu do ônibus, seguindo até o destino final, a rodoviária de uma cidade maior. 

Como eu ainda tinha que pegar outro ônibus nessa rodoviária desci, fui ao banheiro, fiz um lanche rapidinho e procurei um lugar para sentar e esperar. Milagrosamente tinha um lugar vago ao lado de uma tomada, coisa rara, pois esses bancos são os mais disputados do mundo em uma rodoviária porque em reino de bateria que não dura nada quem acha uma tomada é rei. Coloquei meu celular para carregar em uma das entradas da tomada (que tinha duas) e fui ler um livro enquanto o ônibus não chegava.

Estava eu lá distraída com a historinha (que nem lembro mais qual era), quando alguém pediu se poderia usar a outra entrada da tomada, pois seu celular havia morrido. Eu disse que sim e olhei pra pessoa que para minha surpresa era o menino do ônibus. Ele colocou seu celular na entrada e sentou-se no próximo banco. Eu como uma legítima curiosa puxei papo com ele, perguntei se estava acontecendo alguma coisa porque ele não parecia estar bem.

Ainda bem que meu ônibus ia demorar algumas horas porque a história do garoto era longa demais, daria um livro, talvez um livro não, mas uma crônica de romance, pra não dizer de comédia (mas aí eu seria muito cruel). Acho que o que ele mais queria naquele momento era que alguém lhe fizesse essa pergunta para que pudesse desabafar, e cara eu nunca vi alguém precisar tanto desabafar ao ponto de chorar na frente de um estranho contando sua história.

O menino (que eu não lembro mais o nome), me contou o motivo de estar tão nervoso, de querer voltar, de ser um completo idiota (segundo suas próprias palavras), o motivo é claro, era uma mulher. Me disse em meio a lágrimas que havia viajado durante horas vindo lá do Rio Grande do Sul para conhecer sua namorada, sim amigos, conhecer! Quando adolescente eu já vivi amores virtuais, mas nenhum vingou, é claro porque nem sempre conseguimos desvirtualizar uma pessoa por completo porque ela geralmente mora longe e enfim, diversos fatores que no meu caso não deram certo.

Mas esse menino, viajou muitos quilômetros pra conhecer a menina dos seus sonhos. Ele me contou, mas não lembro como foi que eles se encontraram pela primeira vez na web, mas lembro que eles estavam namorando virtualmente e que tinham muitos planos juntos, que já tinha passado do bate papo para ligações intermináveis durante a noite e que já tinham conversado com a família toda, ou seja, eram realmente namorados, mas nunca tinham se visto.

Ele decidiu vir conhecê-la, estava decidido a mudar de cidade, viver com ela, ou levá-la pra lá, construir casa, comprar tudo, construir uma vida juntos, esse era o plano dos dois, mas, porém, todavia, contudo, entretanto ele não avisou a ela que estava vindo, resolveu fazer uma surpresa. Triste decisão meus amigos, tristíssima decisão, pois ao chegar e ir encontrá-la ele teve uma gigantesca decepção.

Tá, no começo foi surpresa, felicidade pelo encontro, mas depois que passou a euforia e eles foram conversar sério sobre seus planos ela disse ainda estar indecisa com a situação e que não tinha certeza se realmente queria ficar com ele. Essa foi de longe a friendzone mais grave que eu já vi.

Pra terminar me mostrou a carta que ela havia escrito pra ele, desculpando-se e dizendo que o amava, porém não podiam ficar juntos. Não entendi muito bem o motivo dela dizer tudo isso e no final como que dizer: "tchau, vá embora, não mandei você vir". Fiquei triste com a história porque me coloquei no lugar dele, com certeza estaria em prantos da mesma forma que ele estava.

Depois de tudo isso meu ônibus chegou e eu parti, ele ainda iria ter que esperar mais algumas horas pra poder voltar pra sua casa, com certeza desolado. Eu fiquei pensando muito nessa história por alguns dias, quanta loucura essa vida né? Me fez filosofar demais sobre o amor, as consequências dele e o que realmente vale a pena nesse mundo.