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30 de nov de 2015

O pessoal lá do grupo As Migas está cada vez mais legal e unido e por falar em união, este mês o tema da blogagem coletiva é algo que tem muito a ver com unir forças por uma causa maior: a doação de sangue. Dia 25 de novembro foi o dia nacional do doador de sangue e nada mais justo que dedicar os posts coletivos do mês para o incentivo a esse ato de amor, mas não devemos lembar disso apenas no dia 25 e sim o ano todo, porque o ano todo têm alguém precisando e em apenas uma doação você pode salvar a vida de até quatro pessoas.


Infelizmente, como eu disse neste post, não posso doar sangue, isso me deixa bastante frustrada porque é uma coisa que sempre quis fazer. Porém eu posso incentivar outras pessoas a doarem e é por isso que estou aqui hoje, para dar algumas dicas para quem ainda não sabe como faz.

REQUISITOS BÁSICOS PARA DOAR:
Estar em bom estado de saúde, ter entre 18 e 69 anos (menores de 16 também podem doar, mas precisam de autorização de seu responsável), pesar no mínimo 50 Kg, estar bem descansado e alimentado, apresentar documento original com foto.

VOCÊ NÃO PODERÁ DOAR SE:
Estiver resfriado, estiver grávida, for puérpera (parto normal deve esperar 90 dias e cesariana 180 dias), estiver amamentando (a não ser que o parto tenha sido há mais de 12 meses), tiver ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas, tiver feito tatuagem nos últimos 12 meses, tiver se envolvido em situações nas quais existe um risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis (aguardar 12 meses), viajou para estados onde tenha alta prevalência de casos de malária (aguardar 12 meses), teve hepatite após os 11 anos de idade, fizer uso de drogas ilícitas injetáveis, teve malária, dentre outros que você pode conferir aqui e aqui

INTERVALOS PARA DOAÇÃO:
Homens: 60 dias (máximo de 4 doações por ano)
Mulheres: 90 dias (máximo de 3 doações por ano)


Procure o local mais próximo de você onde tenha um hemocentro ou alguma campanha para alguma pessoa específica, faça a diferença na vida de alguém, mas lembre-se: você estará doando vida para outras pessoas, portanto seja consciente e certifique-se de que estará doando uma vida saudável. Você será questionado sobre várias coisas em uma entrevista, além de passar por uma triagem de avaliação, então seja extremamente sincero nas suas respostas para não prejudicar ninguém que vier a receber sua doação. 

17 de nov de 2015

Continuando a série de desafios cotidianos que tenho enfrentado na vida, hoje quero falar sobre o dia em que eu assumi o 38. Pode parecer um assunto bem comum e banal assim como tudo aqui, mas é importante pra mim dividir isso, então me deixa.

Eu nunca sofri nenhum trauma grave relacionado ao peso, nunca sofri bullyng, não tive nenhum transtorno alimentar e diferente de muitas outras pessoas nunca fiz nenhuma dieta restritiva e maluca para emagrecer ou engordar. Mas sofri uma autocobrança muito forte principalmente por ser nutricionista e viver cercada de comentários de que nutricionista "tem que" ser magra, por isso sempre que se tratava do meu próprio peso vinha essa questão muito forte de não engordar!

O que acontece é que eu sempre fui magra, desde criança, muito magra na realidade, durante a faculdade não passava de 48 Kg e vivia frustrada ao ver minhas amigas indo doar sangue e eu não podia ir porque não tinha 50 fucking quilos. Também não gostava das minhas roupas porque era muito difícil encontrar peças que me caíssem bem, meu corpo não tinha formas era retilíneo, porém apesar dessas coisas eu gostava de ser magra, apesar de querer engordar um pouquinho, mas podia comer o quanto quisesse que continuava magra, era como falavam: "magra de ruim".

E então eis que o tempo passa e a realidade muda e dentro de quase 3 anos engordei alguns quilinhos e aí a primeira coisa que pensei foi: "eba, posso doar sangue". Mas mais uma vez o mundo foi cruel com a minha vontade de ajudar as pessoas, fui ver os requisitos e quando criança tive hepatite A (depois dos 11 anos) por isso não posso doar, então frustrei de novo. Não que eu tenha engordado apenas para doar sangue, foi natural e até estava gostando disso porque deu forma ao meu corpo. Mas, de repente, como num piscar de olhos minhas calças não entravam mais e eu que até queria ter engordado não estava acreditando que não cabia mais nas minhas calças número 36. Para o mundo, o que tá acontecendo? Eu achei que engordar era psicológico? Não, todo o meu corpo iria sentir essa mudança.

Mas durante toda a minha vida eu estava abaixo do peso e agora estou no meu peso ideal, ou seja, no meu peso ideal é ideal que eu use 38, mas meu cérebro não estava aceitando esse fato. Eu me sentia um pouco culpada porque subir alguns números na balança era ok, mas subir alguns números de roupa não podia, cadê o sentido? Eu achava que 36 era a numeração de roupa que iria usar para o resto da vida e isso já estava programado na minha mente e eu fui teimosa em continuar usando.

Eu vivia reclamando pro meu namorado sobre essa questão, que eu estava super angustiada com o fato de que minhas roupas estavam apertadas e ele simplesmente chegou um dia e me falou: "Amor, você já tem 24 anos, já é uma mulher, você tem que aceitar o fato de que seu corpo muda, você não é mais a adolescente que usava 36 ou as vezes 34, você está linda assim, então não fique se culpando ou usando roupas desconfortáveis, vai em uma loja, compre tudo novo que seja do seu número novo e seja feliz". Gente, ele está certíssimo e é assim mesmo, tão simples, em vez de ficar sofrendo por aquela roupa não te servir mais você simplesmente usa aquela que é seu número e ponto.

As vezes engordar também é uma questão de saúde, assumir seu peso ideal é uma questão não só de estética, mas principalmente de bem estar. Nós mulheres temos grandes problemas com nosso peso e eu vejo bem de perto isso na minha profissão e aí como se não bastasse toda essa angústia que sentimos e a cobrança que nós mesmos nos fazemos, ainda tem todo o preconceito envolvido, gordofobia, apologia a magreza excessiva, temos algumas blogueiras fitness da vida que só falam besteira pra difundir essa cultura de ódio ao próprio corpo, isso me deixa extremamente triste.

Em contrapartida, o que me deixa um pouco mais aliviada é que existem algumas pessoas que tentam quebrar toda essa coisa ruim que envolve a questão do peso, como por exemplo a Paola do blog Não sou exposição, pelo qual sou apaixonada e já li praticamente todos os posts, me anima saber que existem pessoas como elas preocupadas em propagar esse pensamento e ser contra a mídia manipuladora e desconstuir esses discursos apelativos da indústria da beleza.